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Descrição:
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O documento apresenta vários títulos, sendo acompanhados das anotações, na margem superior, “Um mundo só?” e “A dependência num mundo unificado”.
Anotação, à caneta azul e à caneta preta (majoritariamente), com trechos tachados e reescritos à caneta preta. Apresenta também, em caneta preta, notas de rodapé e anotações nas margens. Propõe o séc. XX como era da unificação, com Estados Nacionais operando de forma articulada, conduzindo à homogeneização dos padrões de consumo e à tendência de os mercados unificarem-se em um só, global, dentro de um capitalismo em que a inovação e a acumulação estão essencialmente controladas por firmas transnacionais. Destaca os EUA, salientando o papel de seu sistema de defesa militar e a técnica de suas empresas na expansão internacional.
Citando o exemplo da Inglaterra, reflete sobre o impacto político-social da perda de autonomia dos Estados como centros de ordenação nos processos econômicos, na medida em que a expansão do mercado financeiro internacional, bem como a transferência de atividades internas, capacita as empresas transnacionais a financiarem-se fora do controle dos Estados, restringindo possíveis reformas sociais por parte destes e aumentando o risco de pressão inflacionista e de desequilíbrios na balança de pagamentos.
Coloca que a criatividade técnica nos países capitalistas centrais funda-se em assegurar a reprodução das estruturas sociais internas e na confrontação com os países de economia planificada. Discorre sobre o impacto da carreira armamentista, tanto nos sistemas econômicos dos EUA e URSS, como na evolução da civilização industrial. Aponta que esses dois aspectos geram pressão para expansão externa visando acesso a recursos não renováveis e incorporação indireta de mão-de-obra barata. Elabora a questão a partir do exemplo da Suíça.
Analisa o papel do desmantelamento do sistema de dominação colonial nesse processo, postulando que tanto nos casos em que as estruturas internas de dominação se mantiveram, como nos que emergiram outras de caráter tecnoburocrático, o novo Estado buscou instrumentar a sociedade, visando acelerar a acumulação e ter acesso às formas de vida da civilização industrial. Esmiúça o exemplo da Coréia do Norte como exceção, contrapondo-o ao caso geral. Discorre sobre as estruturas tecnoburocráticas, enfatizando sua crescente autonomia e os efeitos desta, notadamente no que tange a reformas estruturais.
Destaca a revolução cultural chinesa como uma crítica cabal à civilização industrial, e como uma opção a ela abordada na prática. Compara o processo com os primórdios da revolução burguesa e com a experiência soviética, colocando que na China buscou-se demolir os mecanismos do processo de reprodução social. Apresenta este como o único país em condições para tentar uma via autônoma ao processo de homogeneização cultural, acrescentando que, alternativamente, ele também poderia assumir formas de dependência, e discorre sobre os fatores que levariam a isso. Postula os impactos da adoção do modelo soviético e as causas da “recente” instabilidade no país.
No contexto de uma civilização industrial unificada, reflete sobre os efeitos da expansão das transnacionais nos países em condição de dependência, pontuando que a intensificação da acumulação não soluciona problemas que são essencialmente de natureza social, além de promover o autoritarismo. Questiona a “racionalidade“ subjacente ao processo, que pretere determinadas áreas, destacando nos países dependentes o plano de decisões estratégicas, e usando a disseminação dos automóveis como exemplo. Comenta sobre atividade política.
Discute a relação entre dependência, progresso técnico e acumulação e, considerando o maior controle das empresas estrangeiras, questiona a premissa de que a intensificação da última eleva o nível técnico e reduz o grau de dependência. Pondera sobre patentes e sobre a dependência como situação estrutural, propondo, através do exemplo do Irã, que a exploração de recurso não-renovável de grande valor pode ser uma forma de inserção no grupo das economias dominantes. Acrescenta que na civilização industrial, já que a dependência não pode ser superada mediante isolamento, transformá-la em interdependência, através da modificação das relações econômicas internacionais, minimiza seu custo.
Abordando o poder subjacente às relações econômicas internacionais, destaca o papel da informação e a atuação das transnacionais, bem como elenca pontos estratégicos cujo controle atribui poder aos países periféricos na luta contra a dependência. Ressalta a tecnologia como o mais importante, na medida em que a criatividade na civilização industrial foi posta a seu serviço e, em certo grau, ela pode substituir os demais pontos. Salienta o predomínio dos que têm o controle da técnica na apropriação do excedente destas relações.
Esmiúça os outros pontos, postulando que a partir deles surge a possibilidade de rupturas na dominação tecnológica. Em recursos financeiros, cita como a emergência destes, em poucos países exportadores de petróleo, tornou possível o financiamento de projetos de interesse comum entre países periféricos e financeiramente débeis, através de coalizões, e coloca que transferências entre países não centrais influem nas negociações internacionais. Em controle de mercados, coloca que quando a descentralização internacional faz-se imperativa às empresas transnacionais, a limitação de entrada destas pelos governos assume a forma de instrumento de poder. No caso dos recursos não-renováveis, salienta que a relativa escassez destes e o incremento de sua demanda, com a intensificação da acumulação, aumentam a dependência dos países centrais em respeito aos periféricos. Por último, coloca que ainda que a contratação de mão-de-obra pelas transnacionais em países periféricos atenda a ambos os lados, sendo esse processo duradouro e de grandes proporções, poderá ser fonte de poder, e explica como.
Elenca, na forma de perguntas, os desafios que enfrentam os países periféricos. Conclui colocando que os sistemas de produção sob a tutela das transnacionais tendem a perpetuar a dependência, sendo o autoritarismo expansão política desse sistema, e que os rumos futuros da civilização industrial não se definirão sem a participação dos países periféricos.
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